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Os resultados da pesquisa de intenção de voto Ibope/CBN para prefeito de Curitiba mostram que o cenário pré-eleitoral na cidade está se consolidando. Ao que tudo indica, a disputa começará com pelo menos três concorrentes na frente das preferências eleitorais (Gustavo Fruet, Ratinho Jr. e Luciano Ducci). Depois, mais atrás um bloco com concorrentes que se não conseguirem uma forte “alavancagem” no início da disputa, logo se inviabilizarão eleitoralmente (Rafael Greca, Dr. Rosinha e Renata Bueno).

O cenário pré-eleitoral apresentado pela pesquisa publicada nos últimos dias pela rádio CBN e pelo jornal Gazeta do Povo é favorável aos opositores Ratinho Jr. e Gustavo Fruet. Ambos encontram-se empatados tecnicamente em primeiro lugar nas intenções de voto, em torno de 25% para cada um. O atual prefeito aparece em terceiro, com 16% das intenções de voto no cenário mais completo. Ou seja, se fossem mantidas essas condições, a eleição em Curitiba teria segundo turno, porém, pela primeira vez na história sem o candidato à reeleição nele.

Os próximos 60 dias serão cruciais para o prefeito Luciano Ducci. Antes de começar a campanha ele terá que convencer seus correligionários – vereadores da base de governo, integrantes do primeiro e segundo escalões, lideranças políticas locais – de que ele é um candidato viável. Se não conseguir fazer isso, correrá o risco de entrar na disputa com muitos apoios formais e quase nenhum efetivo. Pois em política é assim: mais fácil trocar de barco do que afundar nele.

É verdade que ainda é muito cedo para qualquer prognóstico sobre decisão de voto. Embora os eleitores demonstrem preferência por Fruet ou Ratinho Jr. nas perguntas estimuladas de intenção de voto, quando a questão é espontânea, cerca de 3 em cada 4 eleitores dizem não ter candidato ainda. O primeiro colocado na pergunta espontânea é Fruet, com 7%, seguido de Ratinho Jr., com 4%. Portanto, ainda não dá para “apostar” em um posicionamento do eleitor pró-oposição. O mais prudente nesse momento é olhar para a viabilidade dos pré-candidatos. O gráfico abaixo mostra o saldo entre o percentual de intenção de voto e o percentual de rejeição. É uma subtração simples dos dois percentuais em duas pesquisas de intenção de voto distintas, uma realizada em abril de 2011 e a do final de março de 2012. Quanto mais positivo for o saldo, maior a diferença em favor das intenções de voto para o pré-candidato. E, ao inverso, se o saldo é negativo significa que há mais rejeição do que eleitor propenso a votar nele.

 Embora tenha apresentado uma queda de 11 pontos percentuais, Fruet é o único pré-candidato que continua com saldo positivo nas duas sondagens. Era de 21% em 2011 e está em 10% em 2012. Luciano Ducci foi quem apresentou a maior queda, passando de +4% para – 16% em um ano, ou seja, redução de 20 pontos percentuais. O deputado Ratinho Jr. só teve rejeição medida em março de 2012, indicando saldo de -4%. Dr. Rosinha, pré-candidato do PT, tem o segundo pior saldo, era de -30% em 2011 e oscilou para -27% em 2012, uma diferença que fica dentro das margens de erro para análises de pesquisas amostrais. Já o pré-candidato do PMDB, ex-prefeito Rafael Grecca, além de ter o pior saldo, teve crescimento de negatividade no período. Em abril de 2011 ele tinha -35% de saldo entre intenção de voto e rejeição. Agora subiu para -42%, uma diferença de 7 pontos percentuais.

No entanto, é preciso considerar que em julho, quando a campanha começar de fato, o principal favorecido será o prefeito Luciano Ducci, que contará com a mais consistente coligação de partidos, provavelmente o maior tempo no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) em rádio e televisão, candidatos a vereador com maior potencial de votos fazendo campanha junto dele e apoio do governador do Estado. Embora a última variável não seja tão relevante, pois enquanto governador Roberto Requião não conseguiu “emplacar” nenhum de seus candidatos, a sorte pode começar a mudar para Ducci no segundo semestre. Antes, será difícil. Os dois principais opositores dele no momento, Gustavo Fruet e Ratinho Jr., respectivamente do PDT e PSC, pertencem a partidos médios. Não contarão com grandes estruturas de campanha e apoios locais. No caso de Fruet há o problema adicional da falta de recursos financeiros para campanha.

Por tudo isso, o maior trabalho de Ducci será iniciar  a campanha sem ter perdido os apoios políticos que garantiram a manutenção do mesmo grupo na prefeitura de Curitiba desde 1988. Esse deve ser o objetivo principal do prefeito e, também, pelo governador Beto Richa, que fez questão de tornar pública sua preferência por Ducci. Uma derrota em outubro seria ruim para ambos, porém, os efeitos de longo prazo seriam sentidos mais por Richa do que pelo próprio Ducci.

janeiro 3rd, 2012 | Postado por emerson no ano de Uncategorized - (2 Comments)

Reportagem de Luciana Cristo na Folha de Londrina sobre primeiro ano de governo Beto Richa no Paraná – publicada em 01/01/2012.

O jornal Gazeta do Povo publicou na edição de domingo, 11/12, reportagem de Rosana Félix sobre o descontentamento do eleitor paranaense com os vereadores. Resultados da pesquisa de opinião indicam que um de cada três paranaenses tem uma avaliação negativa do trabalho desempenhado nas câmaras municipais. A impressão geral é que as câmaras são grandes, caras e ineficientes. Os vereadores ganham muitos para fazer pouco ou nada. A invisibilidade da produção legislativa e das atividades de fiscalização dos Executivos municipais são as principais explicações para esses resultados no Paraná – que de resto é muito parecido com os demais Estados brasileiros.

Uma conseqüência inicial é a impressão de que poderíamos viver sem legislativo ou pelos eles poderiam ser reduzidos sem que houvesse prejuízo maior à sociedade. Exemplos disso são os movimentos organizados para “barrar” o aumento no número de vereadores nas Câmaras Municipais ou contra os aumentos nos valores dos subsídios recebidos pelos legisladores. Isso torna-se um problema se considerarmos que o legislativo é o único poder que representa de fato todos os segmentos da sociedade, visto que o Executivo representa um projeto de governo do grupo político que venceu a eleição – necessariamente os demais projetos não serão contemplados por ele.

Outro problema é a confusão gerada pela falta de informação dos eleitores sobre os custos dos legislativos. A reportagem da Gazeta do Povo apresenta informações sobre subsídios de vereadores e custos das câmaras municipais. Ela indica muitas diferenças e desproporções. Como a  base de toda discussão está no tamanho das Câmaras Municipais, farei alguns comentários adicionais a partir de informações extraídas da reportagem e de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) sobre os resultados das últimas eleições municipais no Estado – de 2008.

A primeira informação que chama atenção é que dos 399 municípios do Estado, 365 (91%) tem nove vereadores, que é o número mínimo estabelecido pela Constituição Federal. Outros 32 municípios (9% aproximadamente) têm entre 10 e 19 vereadores. Apenas a capital do Estado, Curitiba, apresenta um número maior de cadeiras: 38. Isso dá um total de 3689 vereadores eleitos em 2008, o que significa uma média de 9,2 cadeiras por legislativo municipal do Paraná. Ou seja, em número de representantes está muito próximos do limite mínimo.

Em relação aos custos gerais, o salário médio de um vereador do Paraná, ainda segundo informações da GP, é em R$ 2,6 mil, variando de R$ 733,46 no município de Marumbi até R$ 9280,00, em Curitiba. Os presidentes das Câmaras recebem, em média, R$ 3,2 mil. Isso gera um custo médio por habitante/ano de R$ 10,8. Isso é alto ou baixo? Não dá para responder em termos absolutos. Teríamos que comparar com os legislativos de outros Estados ou países com características sócio-econômicas parecidas com as paranaenses antes de qualquer afirmação se os legislativos municipais são “caros” ou “baratos”.

Mas, podemos fazer comparações entre os municípios do Estado. A tabela abaixo sumariza as médias de três grupos de câmaras municipais: com 9 cadeiras, entre 10 e 19 cadeiras e com 38 cadeiras – essa última inclui apenas a capital do Estado. São usadas quatro variáveis para fins de comparação: custo dos subsídios por habitante/ano, percentual de votos válidos para candidatos eleitos em 2008, Índice de Fracionalização em 2008 e Número efetivo de Partidos em 2008 por câmara municipal.

A variável econômica, que é o custo por habitante do município por salário dos vereadores, contraria o senso comum de que legislativos grandes geram maior ônus para o cidadão. Enquanto a média do Estado é de R$ 10,8 por habitante/ano para subsidiar os vereadores, nas menores câmaras municipais, com apenas 9 cadeiras, essa média sobe para R$ 32,3 por habitante/ano, como mostra o gráfico a seguir.

 

Nos legislativos entre 10 e 19 cadeiras o custo por habitante/ano cai para R$ 6,6, enquanto que na capital, com 38 cadeiras, o valor é de R$ 2,4 por habitante/ano. Claro que os custos do legislativo não se resumem apenas a subsídios dos vereadores, porém, é preciso relativizar as afirmações de que legislativo pequeno é mais barato. Isso não é verdade, quando se considera as diferenças proporcionais.

Câmaras Municipais Custo subsídio por habitante/R$ % votos válidos para eleitos/08 Índice de fracionalização/08 Número efetivo de partidos/08
9 Cadeiras (365 munic.) 32,37 46,29 0,767 4,717
10 a 19 cadeiras (32 munic.) 6,61 30,20 0,731 4,074
38 cadeiras (1 munic.) 2,46 31,01 0,841 6,278

A segunda variável é percentual de votos para vereadores eleitos em 2008 por município. Ele indica a concentração de poder político dos vereadores. No limite, poderia ser de até 100%, caso todos os votos do município fossem destinados a um dos candidatos eleitos e os não-eleitos não recebessem nenhum voto. Ou seja, quanto maior o percentual de votos nos eleitos, maior o capital eleitoral desse grupo. Na média do Estado, em 2008 vereadores eleitos receberam 44,9% dos votos válidos. A tabela acima indica que em municípios com poucos vereadores a média foi um pouco superior à geral, ficando em 46,9% de votos destinados aos eleitos, contra 30,2% em câmaras entre 10 e 19 cadeiras e 31,0% para os eleitos em Curitiba. Ou seja, quanto maior o número de vereadores, menor a concentração de poder eleitoral dos que se elegem.

Outro indicador é o Índice de Fracionalização (F), proposto por Douglas Rae (1967), que mede o grau de dispersão de cadeiras por partidos político no legislativo. Esse índice varia de zero, quando um único partido ocupa todas as cadeiras, até 1, quando cada cadeira é ocupada por representante de um partido distinto. Portanto, quanto mais próximo de zero, maior a concentração de poder político em representantes de poucos partidos. A média paranaense de Fracionalização dos legislativos municipais em 2008 foi de 0,779. A tabela acima mostra que câmaras entre 10 e 19 cadeiras tenderam a fracionalizar menos, com um índice médio de 0,731, um pouco abaixo de 0,767 obtido pelas câmaras com apenas 9 vereadores. O legislativo de Curitiba ficou com 0,841, distinguindo-se dos dois grupos anteriores. Portanto, quanto mais vereadores, menor a concentração de poder eleitoral dos eleitos.

A quarta variável é complementar à anterior. Trata-se do Número Efetivo de Partidos, um índice que aparece na literatura internacional para mostrar o número de partidos que consegue eleger bancadas relevantes dos legislativos. Foi proposto pela primeira vez por Laakso e Taagepera (1979) para indicar a concentração ou dispersão de partidos nos parlamentos. No caso do Paraná, em 2008, tivemos uma média de 4,65 como Número Efetivo de Partidos nos legislativos municipais. As câmaras menores ficaram em 4,717, contra 4,074 nas que tinham entre 10 e 19 vagas e 6,278 no legislativo de Curitiba. Ou seja, em termos de dispersão de votos entre partidos, a diferença entre as câmaras de 9 a 19 cadeiras foi muito pequena, na média. Só tivemos um crescimento no Número Efetivo de Partidos no caso de Curitiba.

Em resumo, o que parece ser uma solução coerente (redução do tamanho dos legislativos) para um problema diagnosticado (avaliação negativa dos legislativos municipais) pode levar a resultados totalmente contrários. As informações analisadas rapidamente aqui mostraram que legislativos municipais menores são proporcionalmente mais caros, no que diz respeito ao custo por habitante dos subsídios de vereadores, do que os maiores. Os vereadores de câmaras menores concentram maior poder político individual. Há menos fracionalização e menos partidos efetivos nos legislativos pequenos. Ou seja, ao mesmo tempo que reduzir o tamanho do legislativo não garante uma diminuição de despesas, gera menos heterogeneidade na representação dos diferentes segmentos sociais nas câmaras municipais.

Sobre Sócrates, democracia, marketing e política

dezembro 4th, 2011 | Postado por emerson no ano de Futebol - (5 Comments)

A primeira lembrança que tenho de Sócrates é como capitão do melhor time de futebol que já vi jogar: a seleção brasileira de 1982. Junto dele, no auge dos meus dez anos de idade, conheci Falcão, Toninho Cerezo, Zico, Junior, Leandro, Luizinho e Éder. Oscar, zagueiro, Serginho Chulapa, centroavante, e Valdir Peres, goleiro, eu já conhecia, como bom são-paulino que sou. Naquela época, era o sonho de qualquer criança brasileira da minha idade. Fazer parte daquilo parecia o máximo, até a derrota para a Itália. Ainda que eliminado, o time comandado por Sócrates tinha algo de especial (dentre as seleções que vi jogar, pois a de 70 não vi, só por relatos). A seleção de 82 é um retrato da vida de Sócrates. Mesmo tendo perdido, foi a melhor. É e sempre será melhor que as campeãs por zero a zero. Mas, a importância de Sócrates não está no fato dele ter sido um jogador muito acima da média e um caso desviante ao mesmo tempo. Boêmio, fumante e chegado a uma cerveja, conseguia fazer a diferença em campo. A real importância dele está no que representou fora dos campos.

Sócrates era tão diferente que conseguiu fazer do Corinthians um time legal e agradável enquanto esteve lá – parte dos anos 80. Antes e depois do período socrático, pelo menos para mim, o Corinthians era e continuará sendo um time egocêntrico e insuportável por mais de 15 minutos (exceto os corinthianos meus amigos, claro). A diferença de Sócrates não está na imagem que promoveu do seu time, mas nas mudanças que representou fora dele. Sócrates é a figura popular que melhor identifica o momento de novos tempos nas relações sociais brasileiras, mais abertas, democráticas e, enfim, dialogadas – das últimas duas décadas do século XX. Como no Brasil dedicamos muita atenção ao futebol, fica mais fácil perceber mudanças sociais  que se materializam nele. As idéias que Sócrates encarnava interferiram nas relações entre dirigentes e jogadores de futebol, reduzindo a exploração dos últimos pelos primeiros. Graças às mudanças dos anos 80 é que pudemos chegar ao nível de profissionalização e “negócio” do futebol brasileiro no século XX. Sócrates também fez parte do movimento das “Diretas Já”, embora, creio eu, se soubesse o que se passava nos bastidores naquele momento, teria mandado tudo ao inferno e voltado para sua roda de samba em um boteco qualquer. Enfim, ele foi importante fora de campo – principalmente. Sócrates representa o único momento da história do país em que uma coisa sem nenhuma importância contextual – o futebol – conseguiu ser relevante nas mudanças do contexto social em que se inseria.

Até hoje de manhã (dia da final do campeonato brasileiro de 2011 e da morte de Sócrates) eu não via nenhum motivo para o Corinthians ser campeão. Esse título premiaria um modelo de futebol que me incomoda muito. Começando pela evidente tentativa de influência política nos resultados, por parte do atual presidente do clube (que se esforça permanentemente para ser amigo de quem tem poder), até a tentativa de utilização do futebol para fins exclusivamente mercadológicos, representado pelo ex-jogador e atual empresário Ronaldo Nazário. Tanto a política, quanto o marketing em excesso atrapalham o futebol, pois desviam a atenção da atividade-fim, que é o esporte. Porém, com a morte de Sócrates no dia da final do campeonato eu começo a torcer pelo Corinthians, pois sei que entrará para a história como o título do craque no campo e fora dele, Sócrates. Em pouco tempo, o presidente do clube e os ex-jogadores empresários serão esquecidos. Só nos lembraremos do que importa de verdade para o futebol – o toque genial de calcanhar do doutor Sócrates. Pelo que o futebol tem de melhor e pelo que já ofereceu de bom nos anos 80, hoje torço ver o Corinthians do Doutor Sócrates campeão brasileiro de 2011.

Artigo sobre Twitter

setembro 14th, 2011 | Postado por emerson no ano de Eleições | Paraná | twitter - (0 Comments)

A Revista Contemporânea – comunicação e cultura, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), publicou na edição de agosto um artigo meu em co autoria com Michele Goulart Massuchin sobre o uso do twitter pelos principais candidatos a governador do Paraná em 2010. link para texto completo.

 

 

Intenção de voto é menos importante nesse momento da organização das candidaturas a prefeito

O mês de setembro marca a reta final das discussões partidárias para a organização das candidaturas do ano seguinte, conforme determina o calendário eleitoral. Agora, mais importante do que índices de preferência de voto é a habilidade das lideranças em atrair para suas siglas o maior número possível de candidatos viáveis para disputarem as vagas de vereador nas câmaras municipais em 2012. Além disso, há também as pré-candidaturas a prefeitos que, normalmente, chamam mais atenção da mídia.

É verdade que até 2006, última eleição antes da obrigatoriedade legal da fidelidade partidária, as discussões sobre candidaturas eram mais intensas, pois envolviam a possibilidade de troca de partido entre detentores de mandatos eletivos. Não mais. Esperam-se apenas as filiações de possíveis candidatos que não estejam no exercício de mandato. Isso pode parecer pouco, mas não é. O risco de perda de mandato faz com que políticos com mandato excluam de suas possibilidades a filiação em uma sigla que garanta vaga para a disputa na próxima eleição. Agora, tem que disputar com os pares, dentro do partido, a melhor alternativa coletiva, ainda que ela não seja interessante individualmente.

Pesquisas de intenção de voto realizadas um ano antes da disputa têm a exclusiva função de identificar que nomes estão em evidência na memória do eleitor. Normalmente, políticos que já exercem cargo público ou que tenham disputado eleições recentemente. Não é por outro motivo que os candidatos mais citados nas mais recentes pesquisas de intenção de voto em Curitiba são o atual prefeito Luciano Ducci (PSB) e o ex-deputado federal Gustavo Fruet (sem partido), que foi o mais votado na cidade, em 2010, para o senado federal. Não há nenhuma garantia de que isso se manterá até 2012.

Por enquanto, o insumo que realmente alimenta as discussões partidárias para as disputas de 2012 é mais a viabilidade da campanha pelo partido do que o próprio candidato. E, em municípios de médio e grande porte, com emissoras ou geradoras de conteúdo de rádio e televisão, o principal indicador de viabilidade de uma campanha é o tempo que os candidatos têm de horário gratuito de propaganda eleitoral (HGPE). Pela legislação eleitoral, esse tempo é distribuído da seguinte forma: 1/3 do total é igualitário para todos os candidatos e 2/3 divididos proporcionalmente ao número de parlamentares de cada partido na Câmara de Deputados no início da legislatura em vigor. Nas coligações somam-se os tempos de todos os partidos. Considerando que 1/3 é distribuído igualmente, com a finalidade d e reduzir as diferenças de representação, vamos apresentar aqui apenas a distribuição proporcional, ou seja, referente a 2/3 do total de tempo em rádio e televisão. A tabela a seguir indica a distribuição percentual de participação de cada candidato nos 2/3 do HGPE das próximas eleições (foram incluídos apenas partidos com mais de 2% de participação).

 

Aplicando a distribuição acima à disputa pela prefeitura de Curitiba, percebem-se dois fatos prinicpais: i) dos partidos ou coligações que já lançaram pré-candidatos, três apresentam condições semelhantes (PT-17%, PMDB-15% e PSDB/PSB-16%) e ii) se o candidato à reeleição Luciano Ducci conseguir manter a coligação que o elegeu como vice-prefeito em 2008, terá o maior tempo de HGPE em 2012, com grande diferença para os demais. Caso a coligação PSDB/PSB consiga reunir-se com PP, DEM e PR – como já aconteceu em 2008 – o tempo de Ducci passa para 41% dos 2/3 proporcionais. Isso, em termos gerais equivaleria a cerca de 30% do HGPE. Caso isso se concretize, haverá uma tendência de redução no número de concorrentes oposicionistas, com o intuito de “equilibrar” espaço com o candidato à reeleição. A tabela a seguir, a partir das coligações para prefeito de Curitiba em 2008, simula a distribuição do horário eleitoral para a próxima disputa. Até agora, três partidos apresentaram pré-candidatos. Desses, em 2008 o PT se coligou com PSC e vários partidos nanicos que contribuem pouco para horário eleitoral. O PMDB não se coligou e o PSDB coligou-se com vários partidos, cujos principais foram PSB, PP, DEM e PR.

O cenário hipotético inicial descrito acima indica, em primeiro lugar, que as possibilidades de Ratinho Junior ser um candidato viável pelo PSC, sem coligação com outros partidos, são muito baixas. Segundo, o ex-deputado Gustavo Fruet terá que ser muito bom em articulação política para conseguir um tempo mínimo em rádio e televisão que viabilize sua candidatura em 2012. Ainda que reunisse todos os partidos sem pré-candidatos até aqui (PDT, PTB, PV, PCdoB, PPS e PRB) somaria 19% dos dois terços de HGPE. Porém, sabe-se que em Curitiba alguns desses partidos nunca se coligaram e tendem a não mudar para o próximo ano. Por fim, as condições políticas da pré-disputa são muito favoráveis ao candidato à reeleição, Luciano Ducci, caso ele repita a coligação de 2008. A oposição deve esperar as definições de apoio ao candidato à reeleição para definir o número de concorrentes viáveis à disputa.

Avaliação positiva do governo Dilma apresenta queda nos seis primeiros meses. Ainda assim, a presidente continua melhor que Lula e FHC no mesmo período

 

Ao completar seis meses de mandato, Dilma Rousseff apresenta maior queda na avaliação positiva em relação à opinião nos primeiros 100 dias, quando comparada aos dois ex-presidentes anteriores a ela. Enquanto a presidente perdeu 13 pontos percentuais de avaliação positiva do início de governo até o fim do primeiro semestre, Lula ganhara dois pontos percentuais no mesmo período. Já a avaliação positiva de FHC tinha oscilado em menos de um ponto percentual para baixo no mesmo período. Ainda assim, o percentual de aprovação do governo Dilma ao final dos seis primeiros meses de mandato é superior aos obtidos pelos seus antecessores. Dilma está com 50,5%, contra 48,5% de Lula em julho de 2003 e 40,9% de FHC em julho de 1995. Em termos técnicos, Dilma e Lula estariam empatados, pois estariam dentro das margens de erro das pesquisas.

O fato de continuar à frente deve-se aos altos índices de aprovação obtidos pela presidente no início do mandato. Aos 100 dias, o governo atual tinha 63,6% de aprovação – um recorde – contra 46,2% de Lula e 41,1% de FHC (ver gráfico abaixo). No primeiro semestre de 2011 Dilma “queimou gordura” de expectativas positivas do início do ano. Assim, ela entra no segundo semestre de mandato aprovação muito próxima da experimentada por Lula no início do primeiro governo e um pouco acima de FHC.

Na outra ponta, a de avaliações negativas, Dilma tem um expressivo crescimento dos três para os seis primeiros meses de governo, aproximando-se dos índices de Lula no mesmo período. A diferença é que Lula apresentava em torno de 10% de avaliação negativa do governo nas duas medições, enquanto Dilma praticamente dobrou, passando de 5,7% nas pesquisas de 100 dias de governo, para 10,3% de avaliação negativa aos seis meses de governo. Ainda assim, FHC apresentava índices de rejeição do governo no mesmo período superiores aos de Dilma, chegando a 17,3% de avaliação negativa. A semelhança entre FHC e Lula é que ambos apresentaram avaliação negativa estável nos primeiros seis meses de governo, enquanto Dilma teve um crescimento em termos percentuais que ultrapassa os limites de erro amostral, ou seja, cresceu a rejeição ao governo Dilma nos primeiros seis meses de mandato. É o que mostra o gráfico abaixo. O fato é que o início do governo de Dilma marcou um desencantamento da opinião pública, representado pela queda na avaliação positiva e aumento da negativa em relação ao governo.

Existem duas explicações possíveis. A primeira é a relação que a opinião pública brasileira faz entre avaliação de governo e expectativa econômica. Os índices de expectativa positiva para economia nos próximos seis meses também caíram, provavelmente em função de notícias pessimistas sobre  a situação das economias européia e norte-americana. Sempre que há uma crise econômica, ou pelo menos espera-se pela chegada de uma, as aprovações dos governos entram em queda. A segunda explicação diz respeito às denúncias de corrupção no governo, que geram dúvidas na opinião pública sobre a qualidade dos gestores e diminui a confiança no mandatário. Some-se a isso o fato de que nos últimos três meses, três ministros (Casa Civil, Transporte e Defesa) foram substituídos por diferentes motivos. Além disso, é preciso considerar que um governante que inicia o mandato com expectativas positivas muito altas tem mais chance de apresentar tendência de queda– vide a curva descendente de aprovação de Barack Obama, nos Estados Unidos.

A variação dos índices de aprovação no início dos governos dificulta a comparação direta entre os desempenhos dos últimos presidentes.  Portanto, melhor do que analisar os percentuais de avaliação positiva e negativa separadamente é comparar as diferenças entre esses valores, o que permite indicar o “saldo” entre aqueles que aprovam e desaprovam os três governos no mesmo período. O gráfico a seguir indica esses valores para os governos de FHC, Lula e Dilma nos dois períodos (100 dias e 6 meses) a partir de pesquisas de opinião pública.

Todas as informações usadas aqui são resultados de pesquisas dos institutos Ibope e Sensus, disponíveis na internet ou divulgadas pela imprensa. A média das diferenças entre avaliação positiva e negativa para as seis medições ficou em 37,5%, representada no gráfico acima pela linha horizontal. A imagem mostra que aos 6 meses de mandato, Dilma obtém uma diferença de 40,2%, contra 57,9% alcançados aos 100 dias. Apesar de ser a maior queda no período analisado, ela ainda mantém melhores índices que Lula e FHC aos seis meses de governo. Enquanto a diferença de Lula passou de 35,4% aos 100 dias para 37,7% aos seis meses, FHC teve pequena queda, passando de 24,3% aos 100 dias, para 23,6% aos 6 meses.

Ou seja, as pesquisas de opinião pública mostram uma luz amarela para o governo Dilma, que começou muito bem e agora se encontra nos mesmos patamares do início da gestão de Lula, com a diferença de que ele teve crescimento de aprovação ao longo do período enquanto, até aqui, ela está em queda. As pesquisas de avaliação do primeiro ano de governo mostrarão se Dilma conseguirá reverter essa curva de queda na aprovação – aproximando-se dos níveis do governo Lula – ou se ela tenderá aos resultados das avaliações do governo de FHC.

Casal de ministros renova a política no PR

agosto 4th, 2011 | Postado por emerson no ano de Eleições | Paraná - (0 Comments)

Texto publicado originalmente na edição de 4/8/2011 do Jornal Valor Econômico. Acesso por: http://www.valoronline.com.br/impresso/politica/100/466955/casal-de-ministros-renova-a-politica-no-pr

 

Ministros do governo Dilma têm que transformar em capital eleitoral poder político e conjuntura regional favorável à renovação

 

Desde o mais recente processo de redemocratização, a política paranaense tem-se dividido em apenas dois grupos no que diz respeito à viabilidade eleitoral. No período posterior ao regime militar, de 1986 até 2010 foram sete eleições para governador. Em todas elas os dois candidatos mais votados, juntos, ficaram acima de 57% dos votos válidos. Apenas em 2002 o percentual somado de votos válidos foi de 57,57%. Nas demais, ficou acima de 70%. As maiores concentrações de votos foram em 1998, quando Jaime Lerner (PFL) e Roberto Requião (PMDB) fizeram 98,12% dos votos válidos no primeiro turno. Em segundo lugar em termos de concentração de votos no período está a disputa de 2010, quando Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) somaram 94,11% de votos válidos no primeiro turno. Ou seja, a tendência de polarização eleitoral tem aumentado nos últimos anos.

Os números apontam para uma concentração de poder político regional em dois grupos ou – não raras vezes – em duas lideranças. Dado esse fato, uma questão chama a atenção: diz respeito à renovação das lideranças em cada grupo. Normalmente, ela é gradual e com apelo regional, ou seja, a partir de linhas de sucessão partidária local, com tendência ao predomínio de lideranças de centristas. No entanto, a força política obtida pelo PT do Paraná no governo Dilma Rousseff, principalmente representada pelo casal de ministros, Gleisi Hoffmann na Casa Civil e Paulo Bernardo nas Comunicações, pode fazer com que o Estado experimente nos próximos anos um processo distinto de renovação política, aquela que é influenciada pela esfera federal.

Uma das linhas sucessórias de lideranças políticas no Estado – a que está mais próxima dos partidos de centro-direita – concluiu o processo de renovação em 2010, com a eleição do governador Beto Richa (PSDB). Ele tinha sido prefeito de Curitiba sucedendo prefeitos ligados ao ex-prefeito e ex-governador, Jaime Lerner. Na linha dos partidos de centro-esquerda, Roberto Requião, eleito governador por três mandatos (1990-1993; 2002-2005 e 2006-2009), é a figura principal atualmente. Então, podemos dividir os dois grupos com densidade eleitoral no Paraná pós-ditadura militar representados originalmente pela liderança de Jaime Lerner (prefeito de Curitiba por três vezes 1971-1974, 1979-1985 e 1988-1992; governador do Paraná por duas vezes 1994-1997 e 1998-2001) e, no outro, Roberto Requião, que também fora prefeito de Curitiba de 1982-1985.

Por conta da saída de Lerner das disputas eleitorais em 2002, a renovação no grupo de centro-direita foi antecipada e hoje tem como principal liderança o governador Beto Richa. Em 1997 quando o então governador Lerner tentou trocar o PDT pelo PSDB para concorrer à reeleição apoiando FHC, a dupla Richa (o pai, José, e o filho, Beto) foram os principais defensores da idéia no partido. Lerner não entrou no ninho tucano porque o senador Álvaro Dias, presidente do diretório regional à época, impediu. Isso fez com que o ex-governador José Richa, um dos fundadores do PSDB nacional, anunciasse sua saída da política e que seu filho Beto Richa, então deputado estadual, trocasse o PSDB pelo PTB por um período curto. Já na eleição seguinte, Beto Richa voltou ao ninho tucano. Portanto, a questão sucessória do grupo de centro-direita no Paraná resolveu-se em 2010.

No lado oposto, a forte presença do ex-governador e senador Roberto Requião no cenário político local evitou que a renovação acontecesse na mesma velocidade. Some-se a isso o fato de o senador não ter entre suas qualidades a de fortalecer novas lideranças políticas próximo a si. Com isso, abre-se espaço para a renovação “por fora” do grupo de centro-esquerda no Estado. É justamente nesse momento que cresce a força da corrente majoritária do PT no Paraná, formada por lideranças que participaram do governo Lula e que agora fazem parte da administração Dilma. Dentre elas, se destaca Gleisi Hoffmann e seu marido, também ministro Paulo Bernardo. O curioso é que eles entraram na política por caminhos distintos. Hoffmann ocupou inicialmente cargos administrativos, tendo sido assessora parlamentar, secretária estadual do governo de Mato Grosso do Sul e diretora da Itaipu Binacional. Só depois começou a concorrer a cargos eletivos. Candidatou-se ao senado em 2006 e à prefeitura de Curitiba em 2008, tendo ficado em segundo lugar nas duas oportunidades. Em 2010 foi eleita a senadora mais votada do Paraná. Já Paulo Bernardo é oriundo do movimento sindical, foi eleito deputado federal pelo PT, ocupou cargos de secretário do Mato Grosso do Sul e de Ministro dos governos Lula e Dilma. Ele se especializou nas negociações partidárias. Ela, por outro lado, tem conseguido aumentar o seu capital eleitoral. Com o perdão da redundância, é quase um casamento quase perfeito.

Em resumo, a conjuntura regional favorável à renovação no grupo de centro-esquerda do Paraná somada ao fortalecimento político dos atuais líderes do PT no Estado permite-nos dizer que o casal-ministro tem grandes chances de encabeçar um dos grupos com densidade eleitoral no Paraná em 2014 – quando Dilma Rousseff precisará de palanques fortes nos Estados, caso tente a reeleição. Porém, precisarão passar, antes, pela prova das eleições municipais, e, de preferência, elegendo o prefeito de Curitiba em 2012, que concentra ¼ dos votos do Paraná. Esse é o desafio que se coloca a quem pretende ganhar espaço político para ter viabilidade eleitoral em 2014.

 

 

Divulgando…

julho 26th, 2011 | Postado por emerson no ano de Uncategorized - (0 Comments)

Comentários sobre aprovação da administração municipal em Curitiba e seus possíveis impactos nas eleições de 2012

 

As primeiras pesquisas de intenção de voto para eleições municipais de 2012 em Curitiba, publicadas nas últimas semanas, deram início à temporada de especulações. Nesse momento, faltando mais de um ano para as eleições, as intenções de voto mostram apenas quem são os candidatos com maior presença na memória do eleitor. E, sendo assim, aqueles que disputaram eleições recentes e os governantes atuais estão na memória mais saliente do eleitor, logo, tendem a ser citados com mais freqüência. Portanto, não tem nenhuma importância do ponto de vista da intenção de voto, nesse momento. O que interessa, agora, é o nível de rejeição dos pré-candidatos, pois mostra o potencial de crescimento em uma campanha futura. Outra informação relevante nesse momento, para o caso de municípios em que o atual governante pode ser candidato à reeleição, é a dos índices de aprovação do mesmo.

Estudos eleitorais recentes mostram que governantes com aprovação acima de 60% apresentam chances de reeleição significativamente maiores. Mas, isso é apenas uma tendência, pois a reeleição depende muito mais das características dos adversários, ou seja, da viabilidade eleitoral da oposição, do que da avaliação do governo em si. O melhor é pensar em termos inversos: governantes com menos de 60% de aprovação de seus governos têm chances significativamente menores de serem reeleitos. Essa afirmação vem de uma série de estudos que mostram que cerca de um terço dos prefeitos que podem se recandidatar decidem não disputar a eleição. Normalmente são os que apresentam os mais baixos índices de aprovação. De todos, apenas cerca de metade, em média, consegue a reeleição. Mais uma vez, os candidatos com maiores rejeições às suas administrações anteriores tendem a ser substituídos pela oposição.

Portanto, avaliação de governo no Brasil importa, e muito, para as análises de viabilidade eleitoral. Vejamos o caso de Curitiba, onde o atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), é pré-candidato à reeleição. Desde abril de 2010, quando assumiu o cargo após renúncia do então prefeito Beto Richa (PSDB), a administração Ducci vem sendo monitorada por surveys do Instituto Paraná Pesquisas, sob encomenda do jornal Gazeta do Povo. Nesse período, foram realizadas quatro rodadas de pesquisas. Uma em março de 2010, quando o prefeito ainda era Beto Richa, depois em abril e dezembro de 2010 e em abril de 2011. Os resultados mostram uma tendência de queda na avaliação positiva do governo Ducci nas últimas medições. Em abril de 2010 a administração recebeu aprovação de 71,4% dos eleitores que se manifestaram e foi reprovada por 17,7%, segundo dados publicados pela Gazeta do Povo. Em dezembro de 2010 a avaliação positiva havia subido para 75,8% e a negativa passando a 21,9%. Já na mais recente enquete, em abril de 2011, a avaliação positiva caiu para 69,2% e a negativa chegou a 26,1%. Como se pode perceber, ao longo do tempo a avaliação negativa, que é quem desaprova o governo, tem aumento mais do que os percentuais de queda da positiva. Isso se deve ao fato de as avaliações regulares também estarem caindo e se transferindo para negativa. Até aqui, temos então um aumento da rejeição à administração de Ducci, mas isso se deve mais à transferência dos que se posicionavam no meio termo (regular) do que uma “fuga em massa” dos eleitores que gostam do governo.

Além das avaliações até aqui, podem ser usadas curvas de tendência para as predições de valores, ou seja, a partir das tendências até aqui, estabelecer, considerando uma margem de erro, quais poderiam ser os índices futuros – caso todas as condições mantivessem-se as mesmas. Claro que não teremos as mesmas condições atuais, no futuro. Por isso, o exercício de prescrição serve para verificar, a partir das futuras pesquisas de avaliação de governo, se as medidas adotadas pela administração estão surtindo melhores efeitos que as realizadas até aqui ou não. O gráfico acima mostra as retas de tendência da aprovação, reprovação e avaliação regular do governo Ducci. Até o meio do gráfico são os percentuais já alcançados até aqui, e publicados pela imprensa. A partir da metade do gráfico há mais três medições (5, 6 e 7) a cada quatro meses de diferença entre elas, que representam aproximadamente o período até o início do segundo semestre de 2012. O cálculo dos valores futuros foi realizado pelo método de Tendência Linear Ponto a Ponto. Mais uma vez, ele é apenas um indicativo de como seriam as avaliações nos próximos meses, caso as tendências verificadas até aqui não sofressem nenhuma outra influência. Como isso é impossível, visto que todos os dias os eleitores recebem novos estímulos – positivos e negativos – para avaliar o governo, os indicadores permitem comparar futuras medições para identificar se administração tem sido avaliada mais positiva ou negativamente pelos cidadãos.

Além disso, é possível indicar também que se a tendência de queda na aprovação do governo Ducci não tornar-se mais acentuada nos próximos meses, ele pode chegar ao período eleitoral com índices de aprovação acima de 60%, o que lhe garantiria vantagem inicial em relação a qualquer adversário. Por outro lado, a curva de tendência mais acentuada é a da desaprovação do governo, que saltaria dos atuais quase 30% para algo em torno de 40% nos próximos 12 meses. As curvas de predição também indicam uma relação direta entre queda da avaliação regular e aumento da desaprovação. Agora é esperar para ver. Se a administração Ducci acertar mais do que errar, as curvas reais “fugirão” das preditas indicando crescimento da aprovação e queda na desaprovação. Se, por outro lado, errar mais do que acertar, a curva predita negativa poderá se acentuar ainda mais. Os resultados das próximas enquetes mostrarão o desempenho do atual prefeito, que passará pela verdadeira prova em outubro de 2012, que é o que vale de fato.