Os resultados da pesquisa de intenção de voto Ibope/CBN para prefeito de Curitiba mostram que o cenário pré-eleitoral na cidade está se consolidando. Ao que tudo indica, a disputa começará com pelo menos três concorrentes na frente das preferências eleitorais (Gustavo Fruet, Ratinho Jr. e Luciano Ducci). Depois, mais atrás um bloco com concorrentes que se não conseguirem uma forte “alavancagem” no início da disputa, logo se inviabilizarão eleitoralmente (Rafael Greca, Dr. Rosinha e Renata Bueno).
O cenário pré-eleitoral apresentado pela pesquisa publicada nos últimos dias pela rádio CBN e pelo jornal Gazeta do Povo é favorável aos opositores Ratinho Jr. e Gustavo Fruet. Ambos encontram-se empatados tecnicamente em primeiro lugar nas intenções de voto, em torno de 25% para cada um. O atual prefeito aparece em terceiro, com 16% das intenções de voto no cenário mais completo. Ou seja, se fossem mantidas essas condições, a eleição em Curitiba teria segundo turno, porém, pela primeira vez na história sem o candidato à reeleição nele.
Os próximos 60 dias serão cruciais para o prefeito Luciano Ducci. Antes de começar a campanha ele terá que convencer seus correligionários – vereadores da base de governo, integrantes do primeiro e segundo escalões, lideranças políticas locais – de que ele é um candidato viável. Se não conseguir fazer isso, correrá o risco de entrar na disputa com muitos apoios formais e quase nenhum efetivo. Pois em política é assim: mais fácil trocar de barco do que afundar nele.
É verdade que ainda é muito cedo para qualquer prognóstico sobre decisão de voto. Embora os eleitores demonstrem preferência por Fruet ou Ratinho Jr. nas perguntas estimuladas de intenção de voto, quando a questão é espontânea, cerca de 3 em cada 4 eleitores dizem não ter candidato ainda. O primeiro colocado na pergunta espontânea é Fruet, com 7%, seguido de Ratinho Jr., com 4%. Portanto, ainda não dá para “apostar” em um posicionamento do eleitor pró-oposição. O mais prudente nesse momento é olhar para a viabilidade dos pré-candidatos. O gráfico abaixo mostra o saldo entre o percentual de intenção de voto e o percentual de rejeição. É uma subtração simples dos dois percentuais em duas pesquisas de intenção de voto distintas, uma realizada em abril de 2011 e a do final de março de 2012. Quanto mais positivo for o saldo, maior a diferença em favor das intenções de voto para o pré-candidato. E, ao inverso, se o saldo é negativo significa que há mais rejeição do que eleitor propenso a votar nele.
Embora tenha apresentado uma queda de 11 pontos percentuais, Fruet é o único pré-candidato que continua com saldo positivo nas duas sondagens. Era de 21% em 2011 e está em 10% em 2012. Luciano Ducci foi quem apresentou a maior queda, passando de +4% para – 16% em um ano, ou seja, redução de 20 pontos percentuais. O deputado Ratinho Jr. só teve rejeição medida em março de 2012, indicando saldo de -4%. Dr. Rosinha, pré-candidato do PT, tem o segundo pior saldo, era de -30% em 2011 e oscilou para -27% em 2012, uma diferença que fica dentro das margens de erro para análises de pesquisas amostrais. Já o pré-candidato do PMDB, ex-prefeito Rafael Grecca, além de ter o pior saldo, teve crescimento de negatividade no período. Em abril de 2011 ele tinha -35% de saldo entre intenção de voto e rejeição. Agora subiu para -42%, uma diferença de 7 pontos percentuais.
No entanto, é preciso considerar que em julho, quando a campanha começar de fato, o principal favorecido será o prefeito Luciano Ducci, que contará com a mais consistente coligação de partidos, provavelmente o maior tempo no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) em rádio e televisão, candidatos a vereador com maior potencial de votos fazendo campanha junto dele e apoio do governador do Estado. Embora a última variável não seja tão relevante, pois enquanto governador Roberto Requião não conseguiu “emplacar” nenhum de seus candidatos, a sorte pode começar a mudar para Ducci no segundo semestre. Antes, será difícil. Os dois principais opositores dele no momento, Gustavo Fruet e Ratinho Jr., respectivamente do PDT e PSC, pertencem a partidos médios. Não contarão com grandes estruturas de campanha e apoios locais. No caso de Fruet há o problema adicional da falta de recursos financeiros para campanha.
Por tudo isso, o maior trabalho de Ducci será iniciar a campanha sem ter perdido os apoios políticos que garantiram a manutenção do mesmo grupo na prefeitura de Curitiba desde 1988. Esse deve ser o objetivo principal do prefeito e, também, pelo governador Beto Richa, que fez questão de tornar pública sua preferência por Ducci. Uma derrota em outubro seria ruim para ambos, porém, os efeitos de longo prazo seriam sentidos mais por Richa do que pelo próprio Ducci.













